O futuro é a personalização

O futuro é a personalizaçãoHá algum tempo, troquei alguns e-mails bem interessantes com Vandinei Santos, um leitor do blog, sobre o avanço tecnológico nos últimos anos e o que se espera do futuro. Como este tema já estava na pauta de sugestões, estes e-mails serviram de motivação para elaborar o artigo. Se o assunto for do seu interesse, confira!

 

Em primeiro lugar, como já mencionado no cabeçalho do artigo, gostaria de fazer um agradecimento ao Vandinei Santos pelos comentários no blog e pela disposição em compartilhar o conhecimento!

 

Recentemente, li um artigo que menciona algumas curiosidades relacionadas à mudança do estilo de vida das pessoas. Uma delas, que me deixou pensativo, é o fato de que a frase “Onde você está?” é relativamente nova. Há pouco mais de uma década essa frase não existia, já que telefones celulares não eram populares. Para falar com uma pessoa, normalmente ligava-se para o telefone fixo, e, claro, não era necessário perguntar onde ela estava.
Essa curiosidade me fez refletir sobre o progresso tecnológico nos últimos 10 ou 15 anos e, consequentemente, sobre a mudança no hábito das pessoas. Várias atividades que eram feitas “fisicamente” como, por exemplo, a compra de um produto, o pagamento de uma conta e até mesmo os estudos, agora são facilmente realizadas pelo computador. Tornou-se um paradigma do mundo moderno. Não é preciso mais deslocar-se para um determinado local para ver, testar ou adquirir um item, salvo algumas exceções.

Outra curiosidade são as portas com sensores. Na década de 90, lembro-me que minha mãe assistia os filmes de ficção científica e dizia: “As portas abrem sozinhas? Por isso não gosto desses filmes! Eles ficam mostrando essas coisas impossíveis!”. Eis que, hoje, a maioria dos estabelecimentos utilizam esse sistema que, na verdade, se tornou comum. A porta abre e nós entramos sem sequer notarmos que ela abriu, não é? O mesmo acontece com aquelas torneiras que só abrem ao colocarmos as mãos e as lâmpadas que acendem sozinhas ao detectar movimento. Algum tempo atrás, isso era pura ficção.

 

Se esse paradigma surgiu nos últimos 10 anos, então o que acontecerá nos próximos 10 anos? É algo assustador, porém, curioso de se pensar.
No futuro, é provável que não haverá mais cartões físicos de identificação, como RG, CPF, CNH ou Título de Eleitor. Toda essa informação estará presente em um microchip implantado na pele, que facilitará a identificação de uma pessoa bem como suas autorizações de acesso. Além de eliminar aquela preocupação constante com a perda de documentos, esse microchip também será útil para evitar o crime de falsificação de identidade. Aliás, para verificar autorização de acesso, há ainda outra possibilidade: o scanner de retina. Embora geralmente visto apenas em filmes, é algo que facilmente podemos prever para o futuro.

Outra mudança se refere ao dinheiro. Certo dia, ao passar no caixa de uma farmácia e apresentar o meu cartão de débito, ouvi a atendente perguntar: “Você não tem dinheiro em espécie para pagar? Estamos em falta aqui.”. Como assim? Uma farmácia daquele porte, dentro de um shopping, com falta de dinheiro? Mas, ao contrário do que inferi, ela disse que praticamente TODAS as pessoas estão utilizando cartões e, quando alguém realmente decide pagar em espécie, elas não têm troco para voltar. Pois bem, é um fato que eu não esperaria acontecer tão cedo. A propósito, pensando dessa forma, “troco” é um substantivo que poderá deixar de existir no contexto financeiro.
Dinheiro é algo que se tornou apenas números abstratos. Na tela do computador, ao acessar o Internet Banking, o que vemos são meros números, e não notas. E mais, quando você faz uma transferência, o que ocorre basicamente é uma simples continha de matemática: o sistema subtrai o valor do seu montante e soma no valor do montante da outra pessoa. Nada de abrir a carteira e calcular notas e moedas. Quem sabe, por esse motivo, as carteiras comecem a mudar de formato!

 

Uma mudança significante, dessa vez no mundo corporativo, é a modalidade de Home Office, que já é realidade em muitas empresas. Acredita-se que a tendência de trabalhar de casa seja favorável em vários aspectos: diminuir o tráfego, impedir a emissão de poluentes, reduzir os gastos prediais da empresa e, idealmente, aumentar a motivação e produtividade do funcionário, principalmente por poupá-lo do stress do trânsito. Em Florianópolis, como já citei no artigo sobre desenvolvimento gradual, há um problema intenso de mobilidade, e, talvez, se algumas empresas empregassem a modalidade de Home Office, é possível que este problema seria atenuado.
Com o Home Office, na verdade, o funcionário não precisa necessariamente morar na mesma cidade onde a empresa está. Essa modalidade oferece flexibilidade para residir em qualquer local, desde que haja uma conexão satisfatória para realizar o trabalho pela internet. Conversei com um desenvolvedor que morava na capital de São Paulo e recebeu uma proposta para trabalhar Home Office. Como não era necessário se deslocar para e empresa, ele se mudou para o interior do estado e relatou as principais vantagens: pouco trânsito, maior segurança e o custo de vida baixo. Na prática, ele está morando no interior e recebendo o salário da capital, acentuando a relação de custo-benefício.

Há quem diga que a modalidade Home Office ainda não possui maturidade suficiente para ser implantada. Por conta disso, algumas empresas nos Estados Unidos criaram um modelo piloto, no qual todo funcionário recebe o direito de escolher um dia da semana para trabalhar de casa. Dessa forma, eles podem analisar métricas de produtividade e aumentar gradativamente a quantidade de dias, até que a empresa e o funcionário sintam-se confortáveis com a modalidade.
Uma questão que também impede a utilização do Home Office são as reuniões. Muitos diretores acreditam que videoconferências não têm o mesmo efeito que encontros pessoais em uma mesma sala. Eu concordo parcialmente. Para que uma videoconferência seja produtiva, o requisito mínimo é uma boa qualidade de conexão, caso contrário, prepare-se para lidar com interferências, atrasos e travamentos, assim como demonstra o vídeo abaixo:

 

Já ouviram falar em hologramas? Claro! Talvez, no futuro, se as videoconferências não forem algo produtivo, basta criar hologramas dos participantes da reunião em um mesmo local como se todos eles realmente estivessem juntos, quando, na verdade, eles estarão em locais distintos. Parece impossível? Confira o vídeo a seguir de um telejornal em Nova York que utilizou um holograma de uma repórter que estava ao vivo na Califórnia:

 

Por fim, não poderia deixar de postar o clipe “A Day Made of Glass”, criado pela Corning Incorporated. Observe a comodidade, facilidade e personalização apresentadas no vídeo. Levando em consideração o avanço desenfreado da tecnologia na última década, este vídeo não está longe de ilustrar a realidade no futuro:

 

Contudo, como nós sabemos, com novas evoluções surgem novos problemas. Nas próximas décadas, iremos nos preocupar com algumas dificuldades que ainda não existem, assim como atualmente nos deparamos com problemas que não existiam na década passada. Como diz a expressão em inglês, “it’s food for thought”.

 

Grande abraço, leitores!
Até a próxima!


 

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2 comentários

  1. Tudo bem, André. Tem algum tempo que venho acompanhando seus artigos e os aprecio muito, parabéns. Também sou implementador Delphi, graduado na área de Tecnologia e em andamento com pós-graduação em Engenharia de Software. Agora uma questão: como efetivos da área de tecnologia, qual forma de, não apenas nos surpreender com toda essa inovação, mas realizar. Forte abraço.

    1. Olá, Bruno, tudo bem?
      Também cursei uma pós-graduação em Engenharia de Software e gostei bastante! Na verdade, esse curso foi uma das motivações para criar o blog. 🙂
      Bruno, gostei muito da sua pergunta. Houve uma fase na minha carreira na qual procurei me “infiltrar” no mundo das inovações, acompanhando os lançamentos de novos gadgets, ferramentas para desenvolvimento, aplicativos móveis e projetos futurísticos. No entanto, não durou muito. Descobri que o mundo da tecnologia é extremamente amplo e é praticamente impossível especializar-se em todas as áreas que ela abrange.
      Por conta disso, logo percebi que, se desejamos fazer parte de uma inovação tecnológica, primeiro devemos selecionar um segmento específico e só então partir para a etapa de estudos e dedicação. Eu sempre digo que todos têm a oportunidade de inovar, desde que tenham criatividade e comprometimento. Acredito que este seja o ponto: não tentar “abraçar” o mundo. O ideal é optar por um segmento e se empenhar bastante!

      Obrigado pelo comentário, Bruno! Abraço!

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